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Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho.

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suicida-sem-ar:

245 sonhos, 245 futuros, 245 vidas jogadas fora. E tem gente que ainda consegue fazer piada com isso. Não seria engraçado se fosse sua mãe, seu pai, seu irmão, ou seu melhor amigo. Não seria engraçado se você estivesse lá, fosse um bombeiro, ouvindo celulares tocando por todos os lados. Não seria engraçado se você, ainda como bombeiro, se abaixasse e pegasse um celular, e nele tivessem 104 chamadas da mãe. Não seria engraçado se você fosse a mãe, esperando acordada por um filho que nunca voltaria. Não seria engraçado se o seu “se divirta filho” virasse um “adeus, descanse em paz”. Ninguém precisa chorar, ficar de luto, mas respeito todos precisam ter.

suicida-sem-ar:

245 sonhos, 245 futuros, 245 vidas jogadas fora. E tem gente que ainda consegue fazer piada com isso. Não seria engraçado se fosse sua mãe, seu pai, seu irmão, ou seu melhor amigo. Não seria engraçado se você estivesse lá, fosse um bombeiro, ouvindo celulares tocando por todos os lados. Não seria engraçado se você, ainda como bombeiro, se abaixasse e pegasse um celular, e nele tivessem 104 chamadas da mãe. Não seria engraçado se você fosse a mãe, esperando acordada por um filho que nunca voltaria. Não seria engraçado se o seu “se divirta filho” virasse um “adeus, descanse em paz”. Ninguém precisa chorar, ficar de luto, mas respeito todos precisam ter.

‎”Joana, 17 anos. - A voz do locutor disse. A lista das vítimas estava sendo lida em ordem alfabética para quem quisesse ouvir na porta da boate. Ontem, dia 27 de janeiro, ela havia comprado os ingressos para ir junto com os amigos à festa, que seria a primeira do ano. O pai proibiu, “aquele lugar não é seguro, filha” mas ela foi, afinal não tinha nada a perder. Colocou o melhor vestido, se maquiou, calçou o salto 15 e penteou os cabelos longos. O pai a levou e ficou esperando na porta. Não queria sair de lá. Já tinha um mal pressentimento. Às duas da manhã, o tumulto começou. Fumaça, gritos, confusão. O pai saiu do carro às pressas e foi barrado na porta ao querer saber o que estava acontecendo. “Ninguém entra sem pagar” o segurança falou. “Minha filha está aí, quero saber o que está acontecendo!” “Não está acontecendo nada, senhor. As comandas serão pagas e logo, logo, ela vai poder sair”. Da porta, o pai viu o espelhar do vestido de lantejoulas da filha. A voz dela gritando que precisava sair e só se ouvia: “Se não pagar, não sai!” “Moço, tudo está pegando fogo, você quer me cobrar?” De fora, o pai berrava tentando que a menina escutasse e nada. Minutos depois, a voz dela se calou em meio aos gritos. Os cabelos claros caíram. A festa parou, a música tinha acabado. Os celulares começaram a tocar, o celular de Joana tocava sem parar. Era o pai que ligava, desesperado. “VOCÊS NÃO ME DEIXARAM SALVAR A MINHA FILHA! VOCÊS MATARAM ELA!” Ele gritava com os seguranças. O rosto da menina, apagado, estava dentro da boate, misturado com outros. Os familiares começaram a chegar, as lágrimas, os gritos, os telefones tocando. Era isso que se ouvia, os celulares tocando. Todos. As portas se abriram e o pai entrou apavorado, puxando Joana para fora. Ela já havia morrido, não queimada, mas intoxicada. Seu rosto estava perfeito, doce e angelical. A maquiagem ainda brilhava, o pai chorava, e não desgrudou do corpo da filha. A bolsa da menina estava aberta, o celular tocava, era a mãe. “Ela morreu” o pai disse e os dois choraram pelo telefone. Pela manhã, os corpos foram identificados e Joana foi enterrada. A dor que poderia ter sido poupada se ela tivesse escutado o pai, virou solidariedade com as famílias que passavam pela mesma situação. Na bolsa de Joana foram encontrados o celular, seus documentos e um papel que dizia “Papai e mamãe te amam, pra sempre.” e Joana se foi.”